Os corticoides têm inúmeras funções, como já relatado aqui no blog, e
uma dela, por incrível que pareça, é dar a chance de um recém nascido prematuro
viver. Eles fazem isso porque aceleram o desenvolvimento do aparelho
respiratório da criança, que quando for nascer, precisa estar pronto para
funcionar, pois as coisas serão completamente diferentes de dentro do útero.
Atualmente no Brasil, estamos entre os 10 países no mundo que mais
realizam partos prematuros, com um valor incrível de 11,7%. Países
desenvolvidos apresentam taxas menores que 9%, enquanto que países de baixa
renda possuem porcentagem semelhante a nossa. O problema no parto prematuro é
quanto a respiração do recém nascido. O sistema respiratório dele, dependendo
de quanto tempo ele nasceu, pode não estar pronto para realizar trocas gasosas.
A solução para isso é fazer com que a mãe receba doses de corticoides para que
estimule o sistema respiratório a se desenvolver de uma maneira bem mais rápida.
Existem 4 fases do desenvolvimento pulmonar, a fase Pseudoglandular (6 a
16 semanas), Canalicular (16 a 26 semanas), Saco Terminal (26 até nascimento) e
Alveolar (nascimento pra frente). Para que o neonato sobreviva no ambiente fora
do útero, é necessário que ele contenha duas peças chaves, o surfactante e os
alvéolos. A partir da fase de Saco Terminal que eles são produzidos, tornando
qualquer nascimento antes da 26ª semana praticamente inviável, mesmo com
tratamento de corticoides.
Fase pseudoglandular,
o pulmão se desenvolvendo
Para nascimentos da
26ª semana pra frente, o Obstetra, vendo que o bebê vai nascer prematuro,
prescreve uma dose de coritcoide, para que a produção de surfactante seja
acelerada, além de desenvolver o trato respiratório por completo. Mesmo com o
tratamento, quanto mais cedo, menor é a chance do bebê conseguir sobreviver,
podendo morrer justamente por não conseguir manter um nível adequado de trocas
gasosas. Isso mostra um pouco da importância dos corticoides na área da embriologia
clínica, sendo que ele tem outras utilidades nesses casos, mas nesse post só
abordaremos o tema no trato respiratório. Até mais pessoal.
Fase alveolar, com
alvéolos e surfactante
Post feito
coletivamente.
Referências:
http://www.unicef.org/brazil/pt/media_25849.htm
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